A fraca calor gerada pela carne de urubu em meu estômago logo foi desperdiçada. A fome é como uma cobra venenosa, novamente se enrolando firmemente em seu estômago.

Kurumi, oh vocês ainda me chamam de Cool Dog!

Cool Dog arrasta a cauda, avançando com um pé profundo e outro raso nas intermináveis ruínas.

As garras prateadas estão cobertas de lama e crostas de sangue escuro, a cada passo, sinto meus membros tão pesados como se estivessem cheios de chumbo.

O que se vê é apenas ruína e silêncio sepulcral.

Na terra carbonizada, estão espalhadas armas quebradas, algumas ainda piscando com um brilho de energia fraca e sinistra.

Mais eram os corpos de seus "antigos parentes Shiba Inu", seus pelos outrora nobres grudados em sangue, os enormes corpos congelados em várias posturas distorcidas no último momento da vida.

O ar misturava o cheiro de sangue, fumaça e decomposição, quase se tornando a única atmosfera de fundo, densa ao ponto de não se dissipar.

Tristeza.

Aquela tristeza inexplicável e pesada não diminuiu com a passagem do tempo, mas, ao contrário, pesava cada vez mais sobre seu coração, como as nuvens escuras sobre as ruínas.

O ar misturava o cheiro de sangue, fumaça e decomposição, quase se tornando a única atmosfera de fundo, densa ao ponto de não se dissipar.

Tristeza.

Aquela tristeza inexplicável e pesada não diminuiu com a passagem do tempo, mas, ao contrário, pesava cada vez mais sobre seu coração.

Ele não sabia quem era, não sabia o que havia acontecido ali, apenas sabia que ao olhar para os corpos de seus parentes, seu coração se apertava, sentindo um amargo indescritível.

"Eu preciso... encontrar algo decente para comer, certo?" Ele lambeu o nariz seco, tentando dissipar a atmosfera sufocante com uma conversa consigo mesmo. "Aquele 'frango assado' de antes era definitivamente um produto falso, espero que este lugar possua alguns ingredientes normais..." Ele desviou de grandes cadáveres, tentando encontrar frutas silvestres ou... até mesmo uma rato se conseguisse.

Quando ele usou a pata para mover uma pilha de pedras colapsadas, que pareciam ser a borda de algum altar, a ponta da pata de repente tocou algo diferente.

A textura era fria, mas anormalmente lisa. Não parecia uma pedra comum. Ele abaixou a cabeça e cheirou de perto.

Não havia cheiro de sangue, nem de poeira, apenas uma energia extremamente antiga e fraca, como se tivesse estado adormecida por milhões de anos.

Ele curiosamente usou a pata para escavar um pouco, limpando as pedras e a poeira que cobriam a superfície.

Uma laje de aproximadamente meio metro quadrado apareceu. O material da laje não era ouro nem jade, apresentava uma cor cinza prateada opaca.

A superfície estava coberta de profundas e rasas inscrições, essas inscrições não eram letras, mas alguns padrões antigos e abstratos, como se registrassem algum tipo de ritual ou história antiga.

O que mais chamava a atenção era o centro da laje, onde estava esculpido um enorme cão uivando para o céu! Sua forma era ágil, pelos ao vento, e embora consistisse apenas em linhas simples, exibia uma impressionante aura de desprezo pelo mundo e de devoramento de tudo! Aquela forma, aquele espírito, eram tão semelhantes a ele e aos seus parentes mortos ao redor!

"O que é isso..." O cão ficou parado, sua atenção profundamente atraída pela escultura de pedra.

Ele não pôde evitar estender a pata e tocar levemente a imagem do grande cão esculpido na pedra.

No momento em que suas almofadas tocaram a laje...

Zumbido! Um leve som, como se viesse do fundo da alma, ressoou!

A laje que permaneceu em silêncio por não se sabe quantos anos de repente brilhou com uma fraca luz platinada! As antigas inscrições pareciam ganhar vida, irradiando um brilho suave, mas firme.

Em seguida, um fluxo enorme, caótico, misturando inúmeras imagens e emoções, como um rio transbordando, invadiu sua mente de forma brutal!

"Roar——!"

Ele parecia ouvir incontáveis grandes cães rugindo, o som era ensurdecedor, cheio de poder e glória.

A cena piscou:

Ele "viu" uma era gloriosa e magnífica. Incontáveis Bestas do Céu platinadas (esse nome apareceu naturalmente em sua consciência) corriam entre as vastas montanhas e rios, cuspindo nuvens e neblina, suas garras rasgando todos os inimigos que se atrevessem a ofendê-las. Elas eram as verdadeiras soberanas deste mundo!

Ele "viu" uma enorme caverna majestosa, como se estivesse conectando os céus e a terra, cercada por nuvens auspiciosas e luzes divinas. No fundo da caverna, veio um cheiro atraente de comida, era... o Armazém de Mil Alimentos? (outro nome surgiu)

Ele "viu" a tribo próspera, filhotes brincando sob a proteção dos mais velhos, despreocupados. Mas logo, a cena mudou abruptamente!

O céu foi rasgado! Incontáveis meteoros em chamas negras caíram sobre a terra! A sombra que obscurecia o céu desceu, eram... Cavaleiros Dragão Águia! E também os Lobos das Sombras que se moviam como uma onda no chão, ágeis e habilidosos em se ocultar nas sombras...

Guerra! Uma guerra tão brutal que não pode ser descrita!

As Bestas do Céu rugiram, enfrentando os inimigos, a luz platinada colidindo freneticamente com a energia sombria do inimigo. A cada impacto, a terra se partia e o céu perdia a cor. Ele "viu" seus parentes conhecidos caindo sob as garras e ataques de energia, o sangue tingindo a terra ancestral.

Traição! Um traidor sabotou a formação de defesa central no momento crucial!

Cerco! O número de inimigos era excessivo, como se não pudesse ser exterminado!

Um grito de desespero, a mãe que protegia os filhotes foi rasgada pelo vento, os anciãos que protegiam a caverna se explodiram junto com os inimigos...

A última cena congelada era um terreno em chamas, onde ele estava agora. Uma enorme Besta do Céu, cheia de cicatrizes e de tamanho extraordinário, em meio a incontáveis Cavaleiros Dragão Águia e Lobos das Sombras, emitiu seu último rugido, cheio de relutância e indignação, antes de ser submersa por um ataque avassalador...

Todas as imagens, sons e emoções foram arrastadas como um tsunami sobre sua consciência. Glória, esplendor, traição, massacre, desespero, relutância... e aquela dor lancinante pela extinção de sua tribo!

"Não——!!"

O cão agarrou repentinamente sua cabeça, emitindo um grito de dor. Não eram suas memórias, mas estavam gravadas em sua alma de forma incrivelmente real! A cena de extermínio, a raiva e o desespero de seus parentes antes de morrer, como milhões de agulhas, cravaram-se em seu coração!

Ele finalmente entendeu de onde vinha aquela tristeza inexplicável.

Aqui é sua casa.

Os que morreram eram seus parentes.

E ele era da tribo das Bestas do Céu, possivelmente... o último sobrevivente.

Uma fúria avassaladora, misturada com o enorme impacto trazido pela memória herdada, e aquela dor que quase o rasgava, colidiu e se acumulou em seu peito! Ele sentiu que seu corpo estava prestes a explodir!

Ele levantou a cabeça abruptamente, seus olhos negros não estavam mais confusos, mas ardendo com chamas vermelhas! Um gemido incontrolável, semelhante ao de uma criatura juvenil ferida, saiu de sua garganta, que finalmente se transformou em um rugido estrondoso, cheio de interminável relutância e fúria!

"Awooo——!!!"

Esse rugido não era mais fraco, não era mais confuso! Ele rasgou o silêncio mortal das ruínas, como um trovão rugindo, varrendo em direção ao céu desolador e cinzento! No rugido, estava a vingança do extermínio, a dor de perder tudo, um ódio avassalador, e também a declaração mais resoluta de um sobrevivente a este mundo cruel!

Ele voltou! Mesmo que fosse só ele!

Boom!

Com a total explosão de suas emoções, uma energia invisível, mas poderosa, se expandiu rapidamente a partir dele, como um centro!

Como se uma superfície calma de lago fosse atingida por uma enorme pedra!

As paredes já instáveis ao seu lado, sob o impacto dessa energia, começaram a gemer sob pressão, e então desabaram, levantando uma nuvem de poeira.

O cão estava parado no lugar, seu peito subindo e descendo violentamente, arfando pesadamente. Após o rugido, veio a exaustão de poder, mas aquela fúria ardente e o objetivo de ódio claro o fizeram sentir-se mais do que nunca... alerta.

No entanto.

Quando a atmosfera trágica e furiosa foi levada ao auge, ele se preparou para uivar para o céu como um sinal de determinação...

"Gululu~~~~"

Um estrondoso e extremamente inadequado som de barulho intestinal surgiu de seu vazio estômago, ecoando na repentina quietude das ruínas, soando excepcionalmente claro e abrupto. "..."

A emoção que o cão estava elaborando de repente travou.

Ele arqueou a cabeça rigidamente, olhando para sua barriga que protestava, e levantou a pata timidamente, coçando a pele da bochecha. Suas orelhas caíram inconscientemente um pouco.

Ele olhou ao redor, como se estivesse confirmando se alguém tinha ouvido aquele som embaraçoso. Claro, além do som do vento, havia apenas um silêncio mortal.

"Ahem," ele limpou a garganta, tentando recuperar um pouco da imagem de indignação que havia acabado de estabelecer, murmurando baixinho, "a atmosfera já está assim..."

Ele hesitou, mas acabou não resistindo e acrescentou, em uma voz um pouco mais baixa, cheia de queixas e resignação:

"Podemos... começar a comer primeiro?"

A tragédia é real, o ódio é profundo, mas... a fome também é real!

O instinto de sobrevivência, às vezes, é assim tão sem tato, mas ao mesmo tempo incrivelmente forte.