Uma tarifa parece simples no papel. Taxar as importações, proteger a indústria doméstica, seguir em frente. Mas os mercados não veem dessa forma. Quando Trump fala sobre aumentar as tarifas novamente, os traders imediatamente pensam em cadeias, não em manchetes. Um movimento político toca preços, moedas, títulos e, eventualmente, Bitcoin.
Comece com a inflação. Tarifas são efetivamente um imposto sobre produtos importados. Se uma tarifa de 10%–20% atinge produtos-chave, as empresas absorvem o custo ou o repassam para os consumidores. A maioria não absorve por muito tempo. Isso empurra os preços para os consumidores para cima. A inflação subindo mesmo 0,5–1% acima das expectativas importa porque os bancos centrais reagem às expectativas, não apenas aos números atuais. Se a pressão inflacionária retornar enquanto o crescimento desacelera, os cortes de taxa são adiados. E cortes adiados apertam a liquidez.
Agora olhe para o dólar. Em ciclos passados de tensão comercial, o capital fluiu para os EUA durante a incerteza. O dólar se fortaleceu porque investidores globais buscaram segurança. Um dólar mais forte torna os mercados emergentes vulneráveis e aperta a liquidez global. Esse efeito em cascata muitas vezes pressiona os ativos de risco primeiro.
O Bitcoin está na interseção. Quando a liquidez se expande, o Bitcoin tende a prosperar. Quando o dólar se fortalece drasticamente, o Bitcoin pode enfrentar pressão de curto prazo. Mas se as tarifas alimentarem medos de inflação de longo prazo ou narrativas de desdolarização, o argumento de proteção retorna. Isso cria volatilidade, não clareza.
Para os traders, isso não se trata de preferência política. Trata-se de posicionamento. Observe as expectativas do CPI, os rendimentos dos títulos e o DXY (o índice do dólar). Se as tarifas aumentarem, a volatilidade se expandirá entre os ativos. E a volatilidade, tratada corretamente, é uma oportunidade.
Qual é o seu cenário base — dólar mais forte ou ruptura inflacionária?

