O mercado ama manchetes chamativas. Mas as verdadeiras mudanças sempre ocorrem silenciosamente.

A China reduziu seu portfólio de títulos do Tesouro americano para $0.68 trilhões — o mínimo desde 2009. E isso não é um movimento isolado. É uma tendência que dura anos.

Pequim não está 'vendendo a América'. Está reduzindo a dependência.

A razão é simples, mas desagradável para o sistema financeiro global: após o congelamento das reservas russas (aliás - totalmente justo, a agressão infundada contra o vizinho sempre deve ser punida) tornou-se evidente — as reservas em dólares não são mais ativos politicamente neutros. Elas são relativamente seguras… até que você comece a quebrar as regras geopolíticas.

Portanto, a China faz o que qualquer grande potência faria em seu lugar:

  • reduz o risco de duration;

  • diversifica as reservas;

  • transfere para ouro e ativos reais;

  • reduz a vulnerabilidade às sanções.

E aqui começa o mais interessante.

Enquanto a China vende, alguém deve comprar. Agora, isso está sendo feito pelos aliados dos EUA - Canadá, Noruega e outras economias desenvolvidas. Mas isso não é um recurso infinito.

Se a demanda externa por Treasuries enfraquece, surge uma mecânica de mercado simples:

mais vendedores → preço dos títulos mais baixo → maior rentabilidade.

E uma alta rentabilidade é o inimigo dos ativos de risco.

É por isso que cada salto na rentabilidade da dívida americana praticamente automaticamente afeta as ações tecnológicas e as criptomoedas. O dinheiro simplesmente retorna para onde se pode obter 5%+ sem risco em dólares.

Mas há um segundo nível de jogo que muitos ignoram.

Se a demanda dos estrangeiros cair muito, restará apenas um grande comprador no sistema - o próprio Fed.

E então o mercado volta ao velho conhecido cenário:

QE

Não porque alguém queira "salvar os mercados". Mas porque, caso contrário, o financiamento da dívida americana se torna muito caro para toda a economia.

Aqui surge o paradoxo do século XXI:

👉 a desdolarização pressiona os ativos de risco a curto prazo;

👉 mas a longo prazo força a emissão de dólares.

E a liquidez global é o combustível para o BTC.

Bitcoin não sobe por causa das notícias.

Bitcoin sobe devido ao excesso de dinheiro no sistema.

E se a segunda maior economia do mundo está lentamente se desfazendo da dívida americana, isso não é o fim do dólar.

É o começo de um novo ciclo de impressão, que o mercado ainda tem medo de chamar pelo seu nome.

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