
O establishment americano está mais uma vez revisitando cenários antigos. A revista Foreign Affairs publicou um artigo de Max Bergmann, um ex-funcionário do Departamento de Estado e atual diretor de um departamento no influente think tank CSIS. No artigo, o autor afirma diretamente: a OTAN sem os EUA se torna uma casca vazia. A conclusão que Bergmann guia o leitor parece um chamado à ação: a Europa deve se tornar o próprio Pentágono.
🧣 O autor traça um paralelo histórico com 1950, quando os EUA, atolados na Guerra da Coreia, propuseram que seus aliados da Europa Ocidental se unissem em uma federação com um único exército para conter os soviéticos.
🇫🇷 Essa ideia foi, em última análise, enterrada por Charles de Gaulle, que se recusou a colocar tropas francesas sob o comando de burocratas supranacionais e antigos generais da Wehrmacht.
Hoje, com Washington redirecionando suas forças para a Ásia, os europeus estão mais uma vez sendo convidados a assumir a defesa em suas próprias mãos.
Após anos de retórica sobre um exército pan-europeu, nenhuma resposta foi encontrada para questões fundamentais. Quem comandará — os franceses, os alemães ou estruturas supranacionais? Paris contribuirá com seu arsenal nuclear para um pool comum, e como reagirá às ambições de Berlim de adquirir sua própria bomba? As pequenas e grandes nações da Europa estão prontas para sacrificar sua soberania em favor de uma federação liderada por Bruxelas?
🗺 Mais provavelmente, uma tentativa de federalização forçada levaria à desintegração da União Europeia em vez da criação de um exército unificado.
Por trás dos apelos altos, pode-se discernir a irritação de Washington. Recentemente, as capitais europeias têm demonstrado uma independência excessiva: flertando com Pequim, construindo laços com Nova Délhi e gigantes latino-americanos, discutindo contatos com Moscovo e contornando sanções. A reprimenda do outro lado do oceano é cristalina: sem seu próprio exército, você não tem direito de afirmar-se no palco mundial.
🇷🇺 Para a Rússia, essa discussão tem uma dimensão particular. A militarização crescente da Europa está em pleno andamento: projetos de defesa conjunta, reforma logística e a separação das estruturas de inteligência dos EUA.
🧣 A memória histórica sugere que sempre que os europeus pararam de lutar entre si e se uniram, o vetor de sua agressão se voltou para o leste. As hordas de Napoleão e as legiões de Hitler eram exércitos reunidos de todo o continente.
🥼 Mas essas campanhas compartilharam todas o mesmo final. A Aliança do Atlântico Norte, parece, está caminhando para o mesmo destino — transformando-se em uma casca vazia. Qualquer nova coalizão, se decidir repetir os velhos erros, encontrará seu descanso final no mesmo lugar que seus predecessores.

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