As empresas que dependem exclusivamente de contas bancárias tradicionais correm o risco de perder o controle sobre o relacionamento com os clientes, à medida que as carteiras digitais se tornam a principal interface para pagamentos e serviços financeiros, de acordo com um novo alerta da EY.
A consultoria disse que empresas em pagamentos, varejo e serviços financeiros precisam cada vez mais ter e operar suas próprias carteiras digitais em vez de depender de bancos de terceiros ou intermediários de pagamento, à medida que o envolvimento do cliente se desloca para finanças embutidas e modelos de liquidação em cadeia.
“As carteiras estão se tornando a nova interface dos serviços financeiros”, disse a EY, observando que as empresas que terceirizam essa camada podem se ver reduzidas a provedores de infraestrutura de back-end, enquanto outras capturam os dados, a lealdade à marca e a receita recorrente.
O aviso reflete uma tendência mais ampla da indústria na qual as carteiras estão evoluindo de simples ferramentas de pagamento para plataformas multifuncionais que contêm credenciais de identidade, programas de fidelidade, ativos tokenizados e stablecoins. Como resultado, o controle sobre a carteira determina cada vez mais quem possui o relacionamento com o cliente.
A EY disse que o aumento das carteiras digitais está sendo impulsionado por várias forças, incluindo pagamentos em tempo real, o crescimento das stablecoins e as expectativas dos consumidores moldadas por plataformas focadas em dispositivos móveis. Nesse ambiente, a conta bancária tradicional está se tornando menos visível para os usuários finais, mesmo enquanto continua fazendo parte das infraestruturas subjacentes.
A mudança tem implicações tanto para bancos quanto para empresas não financeiras. Os bancos que não oferecerem experiências de carteira convincentes correm o risco de serem relegados a utilitários regulados, enquanto comerciantes e plataformas que integram carteiras diretamente em seus serviços podem aprofundar o engajamento e reduzir a dependência de provedores de pagamento externos.
A EY também destacou considerações regulatórias, observando que os operadores de carteiras enfrentam cada vez mais requisitos em torno da custódia, proteção ao consumidor e controles de combate à lavagem de dinheiro. As empresas que entram nesse espaço devem equilibrar a experiência do usuário com a conformidade, especialmente à medida que os reguladores prestam mais atenção às stablecoins e às carteiras de ativos digitais usadas em larga escala.
A empresa disse que a transição já está em andamento em regiões onde os pagamentos digitais e a adoção de criptomoedas estão avançados, e é provável que acelere à medida que o dinheiro tokenizado e os pagamentos programáveis se aproximem do uso mainstream.
Para os negócios, a mensagem é clara, disse a EY: em um mundo onde as carteiras substituem as contas bancárias como ponto de contato do cliente, possuir a carteira pode ser essencial para possuir o cliente.
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