Quando o mercado fica quieto, algo estranho acontece dentro de um trader.
Sem velas correndo. Sem movimentos bruscos. Sem caos. Apenas uma ação de preço lenta e entediante. E de alguma forma, essa calma parece mais pesada do que uma queda.
Eu notei isso em mim mesmo mais vezes do que gostaria de admitir. Quando a volatilidade seca, minha mente começa a fazer barulho. Eu começo a verificar gráficos com mais frequência, não menos. Eu me concentro. Eu sobrepenso pequenos movimentos que não significam nada. Uma parte de mim se sente inútil, como se estivesse perdendo algo importante, como se o dinheiro estivesse sendo feito em algum lugar sem mim.
As perdas no passado treinaram meu cérebro para esperar dor ou recompensa a todo momento. Então, quando nada acontece, parece antinatural. Suspeito. Começo a duvidar da minha paciência. Então da minha confiança. Então do meu plano. Lembro-me das vezes em que forcei negociações apenas para me sentir envolvido, apenas para quebrar o silêncio. Às vezes funcionou. Muitas vezes não funcionou. O arrependimento sempre parecia o mesmo.
Mercados quietos expõem uma verdade desconfortável. Negociar não é apenas lidar com o medo durante quedas ou ganância durante altas. Também é sobre sentar-se com o tédio. Sobre resistir à urgência de criar ação quando nenhuma é necessária. Isso é mais difícil do que parece.
Com o tempo, após suficientes pequenos erros e algumas escapadas felizes, comecei a ver isso de maneira diferente. O mercado em repouso não está vazio. Está neutro. A verdadeira tensão não está no gráfico. Está no trader observando-o.