Algumas pessoas afirmam que os Estados Unidos poderiam cortar a internet da China em minutos porque a maioria dos servidores raiz do mundo está localizada nos EUA. No entanto, essa visão é simplista demais e não reflete como a internet realmente funciona.
A distribuição atual dos servidores raiz deve-se principalmente a razões históricas. A internet primitiva começou como ARPANET, um projeto de defesa dos EUA, então os primeiros servidores raiz foram naturalmente colocados nos Estados Unidos. Quando a internet se expandiu globalmente na década de 1990, o sistema de 13 servidores raiz já estava estabelecido, com a maioria localizada nos EUA. A China se conectou à internet mais tarde e, portanto, não participou da configuração inicial.
Hoje, a situação é diferente. A internet é construída sobre uma arquitetura distribuída, o que significa que nenhum país pode facilmente controlar ou desligá-la. Os servidores raiz atuam principalmente como o “catálogo de endereços” da internet. A China instalou vários servidores espelho raiz que copiam e sincronizam dados dos servidores principais, permitindo que a resolução de nomes de domínio continue mesmo que as conexões com servidores raiz estrangeiros sejam interrompidas.
A China também desenvolveu seu próprio sistema de nomes de domínio para o domínio de nível superior .cn, apoiado por muitos nós de serviço em todo o país e ao redor do mundo. Esses sistemas podem manter redes importantes—como sistemas governamentais, financeiros e industriais—em funcionamento, mesmo que as conexões internacionais sejam afetadas.
Além disso, a infraestrutura de telecomunicações da China inclui rotas de backup e sistemas de recuperação de desastres. Se uma conexão falhar, o tráfego pode ser redirecionado por outros caminhos. O país também investiu pesadamente em novas tecnologias de internet, como IPv6, para fortalecer sua independência de rede.
De uma perspectiva econômica, cortar a China também prejudicaria os Estados Unidos. A China é um enorme mercado digital, e muitas empresas de tecnologia americanas dependem dela. Um desligamento interromperia as cadeias de suprimento globais e causaria grandes perdas de ambos os lados.
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