A alta dos preços do ouro e da prata não é devido ao aumento da demanda nem à falta de oferta, mas sim ao colapso do sistema financeiro e monetário global baseado no dólar como moeda de reserva.
Quando Washington compra o mundo com um clique.
Pode parecer que o título é exagerado, mas infelizmente é apenas a verdade. Imagine que os Estados Unidos podem comprar tudo o que os países do Golfo possuem, e o que suas terras armazenam de ouro, petróleo e minerais, com apenas um clique em um teclado em Washington.
Há mais de meio século, o mundo lida com um papel impresso pelo governo americano como se fosse dinheiro real. Um papel sem lastro em ouro, sem valor intrínseco, exceto pelo que lhe é conferido pela confiança no estado emissor. No entanto, essa aceitação não é mais uma obviedade em um mundo que mudou radicalmente, onde os equilíbrios de poder e economia foram alterados.
Isso pode parecer uma cena de um filme de ficção ou um pesadelo econômico, mas na verdade é uma realidade que o mundo vive desde que o dólar se tornou a moeda de reserva global após a Segunda Guerra Mundial, e então se desvinculou do ouro em 1971, tornando-se papel que extrai seu valor da confiança em Washington e não de seu lastro em ouro ou prata.
Com o passar do tempo, os Estados Unidos abusaram excessivamente dessa vantagem única. Em vez de o dólar ser uma ferramenta para facilitar o comércio, ele se transformou em uma ferramenta de dominação, imprimindo trilhões para financiar déficits, comprar recursos e pagar pelo petróleo, metais e mercadorias de todo lugar sem uma contrapartida real de produção ou esforço.
Enquanto as demais nações do mundo são forçadas a trabalhar e exportar apenas para obter dólares, para que possam importar ou pagar suas dívidas denominadas nessa moeda, assim, quem possui a máquina de imprimir hoje possui o mundo.
O valor real de qualquer moeda deve ser medido pelo que as nações produzem, não pelo que os bancos imprimem. Quando o dinheiro se torna tinta em papel, a justiça econômica perde seu significado. Por isso, a pergunta hoje não é: quanto você possui em reservas em dólares? Mas a verdadeira pergunta é: até quando aceitaremos um papel impresso sem esforço em Washington como se fosse uma riqueza real?
Não é uma genialidade financeira, mas uma dominação monetária que fez o mundo vender sua produção real em troca de papel sem lastro. É hora de o mundo perceber que quem possui a impressora possui o mundo.
Chegou a hora de dizer ao dólar o que foi dito a cada império que alcançou o auge e desapareceu:
Você tomou mais do que merece, e chegou a hora da mudança.
