Seis carteiras suspeitas de informações privilegiadas lucraram US$ 1,2 milhão no Polymarket ao apostar em um ataque dos EUA ao Irã. Rastreio em blockchain revelou ainda um grupo de contas conectadas que previram múltiplos ataques dos EUA e de Israel com precisão expressiva.

Os episódios indicam um padrão crescente de possível uso de informação privilegiada em mercados de previsão, onde anonimato e acessibilidade vêm sendo explorados para obtenção de lucro.

Apostas no Irã com precisão suspeita

Seis carteiras identificadas pela plataforma de análise on-chain Bubblemaps receberam fundos em até 24 horas após realizarem suas apostas. Todas focaram especificamente no dia 28 de fevereiro e adquiriram contratos “sim” poucas horas antes de o ataque dos EUA ao Irã acontecer.

A precisão dessas apostas gerou suspeita imediata de acesso a informações não públicas.

A Bubblemaps rastreou os recursos de uma das carteiras marcadas, identificada como “nothingeverhappens911”, após transferir os lucros do Polymarket. Essa trilha levou a outra conta, “Skoobidoobnj”, por meio de um endereço de depósito compartilhado na Binance.

UPDATE: 🇺🇸 🇮🇱 The story goes deeper

These suspected insiders connect to a cluster of accounts betting on US and Israeli strikes with near-perfect accuracy

• Iranian nuclear sites hit
• Israel strikes on Iran
• US strikes on Iran

🧵 https://t.co/733AUioVTv pic.twitter.com/MVpzH7zDSJ

— Bubblemaps (@bubblemaps) March 5, 2026

Skoobidoobnj já havia lucrado US$ 100 mil comprando contratos “sim” pouco antes de dois ataques surpresas ao Irã em 2025. O primeiro foi o lançamento da Operação Rising Lion, por Israel, em 13 de junho. O segundo aconteceu oito dias depois, quando os EUA se juntaram ao conflito e enviaram bombardeiros B-2 para atingir instalações nucleares iranianas.

A Bubblemaps ainda identificou mais duas contas do Polymarket associadas a Skoobidoobnj. Uma obteve US$ 65 mil com o ataque dos EUA em 28 de fevereiro. Outra lucrou US$ 10 mil no ataque israelense de 13 de junho.

No total, quatro contas relacionadas faturaram US$ 240 mil ao prever ataques dos EUA e de Israel com o que a Bubblemaps qualificou como precisão quase absoluta. O valor global de US$ 1,2 milhão foi alcançado apenas em 28 de fevereiro pelas seis carteiras.

Essas revelações surgem poucas semanas após a controvérsia das apostas sobre o Irã gerar as primeiras consequências legais.

O padrão que continua se repetindo

Em fevereiro, autoridades israelenses indiciaram dois cidadãos, um reservista do exército e um civil, sob a acusação de uso de informações militares confidenciais para apostas no Polymarket.

Segundo as autoridades, os acusados apostaram em operações militares com base em dados restritos obtidos durante o exercício de suas funções. A denúncia incluiu apostas sobre o momento do ataque inicial de Israel ao Irã no conflito de 12 dias ocorrido em junho.

O caso foi inédito, mas a preocupação por trás dele não é nova.

Some war related insider trading? A brand new account in polymarket, only invested in US going to war with Venezuela and Maduro out by January 31. Up 13k so far, was spending thousands on Maduro out at bargain prices as recently as 4 hours ago. Now it’s at .50. pic.twitter.com/GLnfvAfEZc

— tyson brody (@tysonbrody) January 3, 2026

Mercados de previsão já vinham recebendo críticas por apostas realizadas em períodos suspeitos, sugerindo acesso privilegiado. Em janeiro, um grupo de novas carteiras do Polymarket faturou mais de US$ 630 mil ao apostar na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.

As apostas foram feitas poucas horas antes da informação ser divulgada ao público.

Os episódios reacenderam o debate sobre se mercados de previsão realmente agregam informações de forma eficiente ou apenas recompensam quem tem acesso privilegiado.

O artigo Apostador acerta ataque ao Irã e leva US$ 1,2 milhão no Polymarket foi visto pela primeira vez em BeInCrypto Brasil.